Deiva

 

Chaguim Shabat

Segundo uma antiga lenda, D'us dirigiu-se ao povo de Israel dizendo: "Meus filhos, se vocês quiserem aceitar a Torá, e observar seus preceitos (mitzvot), garantirei a vocês o mais precioso presente."

"E qual será este presente? " - perguntaram os filhos de Israel.

"O mundo vindouro (Olam Habá)", foi a resposta.

"Diga-nos como é o mundo vindouro", retrucaram os filhos de Israel.

E D'us respondeu: "Já lhes dei o Shabat. O Shabat é apenas uma pequena amostra do mundo vindouro."Ao longo da história o Shabat sempre foi um ponto central na vida judaica. Desde os tempos bíblicos até hoje, é observado como dia de descanso e renovação espiritual. Serviu para trazer alegria às vidas que estariam cansadas de outra maneira.

Famílias se reúnem no Shabat. Pais e filhos jantam juntos. Rezam juntos. Estudam e cantam juntos. Formam uma verdadeira família.

A essência do Shabat é expressa no livro de Exodo 20:8-10, "Lembrem-se do Shabat e mantenham-no santo. Seis dias vocês deverão trabalhar e realizar todos os seus deveres, mas o sétimo dia é Shabat para o Senhor, vocês não deverão trabalhar neste dia."

Posteriormente, os rabinos acrescentaram que o Shabat é o caminho para a salvação pessoal. "Se o povo de Israel observasse pelo menos dois Shabatot consecutivos, todo o mundo seria redimido - Shabat 118a).

AS VELAS DE SHABAT

  Duas velas são acesas, correspondendo às duas expressões "Zachor" e "Shamor" que são mencionadas nos Dez Mandamentos ("Lembrar" e "Guardar" o Shabat). Algumas mulheres acendem uma luz adicional com o nascimento de cada criança (pois cada criança traz mais luz ao mundo), e continuam acendendo-a através dos anos. As luzes simbolizam a alegria e serenidade que distinguem o shabat.

  É um dever e privilégio de toda mulher judia acender as velas do Shabat (e Iom Tov). É importante que toda menininha a partir dos três anos acenda sua própria vela. Recomenda-se que a mãe não acenda as suas primeiro, pois depois que uma pessoa acendeu as velas, o Shabat já se iniciou para ela, mesmo que seja antes do pôr-do-sol. Neste caso não poderá mais ajudar a menina a acender a sua vela se for necessário. Mesmo crianças novas sentem calor e alegria interior, quando ajudam a receber o Shabat com suas velas.

  Antes de acender as velas do Shabat, é um momento apropriado para observar a Mitsvá de Tsedacá, depositando algumas moedas na caixinha de caridade.

A NOITE DE SHABAT EM CASA

Shalom Aleichem (midi inserida)

  Este cântico de louvor, entoado na noite do Shabat, está baseado numa passagem talmúdica segundo a qual um anjo bom e um mau acompanham às suas casas todos que voltam da sinagoga sexta-feira à noite. Se eles encontram a casa preparada para o Shabat, a mesa festivamente posta, com velas reluzentes e toda família vestida em suas melhores roupas — o anjo bom diz: "Que o próximo Shabat seja como este", e o mau responderá, mesmo contra a sua vontade: "Amém, que assim seja". Mas se por outro lado, acontece o contrário, e a casa não está preparada para receber a Rainha Shabat, o anjo mau diz: "Que o próximo Shabat seja como este", e o bom, infelizmente, será obrigado a dizer "Amém".

A História da Chalá

  Quando os judeus estavam no deserto, após terem deixado o Egito, não tinham o que comer, dado que o pequeno suprimento de Matsá que levaram já se acabara. D’us mandou, então, uma porção diária de Maná (alimento dos céus), para cada pessoa. O maná continha a propriedade de satisfazer "a todos os gostos": proporcionando qualquer sabor que se desejasse ou imaginasse. Como eram afortunados nossos ancestrais, sendo lembrados, a cada dia, de que, na verdade, o homem depende da graça de D’us para o seu alimento cotidiano!

  Todas as sextas-feiras nossos antepassados recebiam uma porção dobrada de Maná, pois no Shabat não é permitido carregar algo de fora para o lar. Assim, em comemoração a este alimento celestial, ao invés de iniciar as refeições de Shabat e Iom Tov com pão comum, após o Kidush e Ntilat Yadaim, fazemos a Bênção sobre um par de Chalot trançadas.

  Quando a Maná caía no solo, permanecia fresco, pois estava "forrado" por uma camada de orvalho, tanto embaixo como por cima. Este é um dos motivos de colocarmos as Chalot sobre um prato ou travessa e sob uma cobertura especialmente decorada.

  Outro motivo para cobrirmos as Chalot durante o Kidush é o fato das Chalot (o pão, que é o alimento básico do homem) serem mais importantes que o vinho (que, de certa forma, é apenas um artigo de "luxo", além do que a Brachá da Chalá tem precedência sobre a Brachá do vinho). Assim sendo, para não "envergonhar" as Chalot devemos cobrí-las enquanto damos precedência ao vinho. Se a Torá exige que não envergonhemos as Chalot, que não são capazes de sentir tal vergonha, quanto mais cuidadosos devemos ser em não envergonhar o próximo!

  Deduz-se da descrição bíblica que o Maná tinha a aparência de sementes brancas. É por isso que muitos costumam espalhar sobre a Chalá sementes de papoula ou de gergelim.

  A Chalá no Shabat nos faz recordar o milagre do Maná, quando fazemos a bênção sobre duas Chalot inteiras, e o intrincado número de tranças de cada Chalá (seis, perfazendo um total de doze) traz à memória o milagre dos pães no Templo.

  O Shabat chega ao fim quando três estrelas são visíveis no céu, a olho nu. Entretanto, antes de ser permitido fazer qualquer trabalho, deve-se verbalizar o início da nova semana com as palavras: "Baruch Hamvdil Bein Codesh Lechol" ("Bendito é Ele que separa entre o sagrado e o profano").

  Depois que terminar o Shabat é dita a Havdalá para marcar a distinção entre o "sagrado e o profano", entre o Shabat que finda e os dias comuns da semana que se iniciam.

  A oração de Havdalá é pronunciada sobre um cálice de vinho, com uma bênção. Entretanto, suco de uva, cerveja e alguns outros líquidos também podem ser utilizados. Além desta, duas outras orações são recitadas. A primeira é dita ao aspirar o perfume de especiarias. Estas têm o poder de revigorar espíritos alquebrados; quando o Shabat parte, junto com ele se retira nossa alma adicional, e é nessa hora que nosso estado de espírito precisa ser estimulado e revivido.

  A segunda, é a bênção do fogo, recitado sobre a luz de uma vela trançada (combinando diversos pavios ou, na falta desta, juntando as chamas de duas velas ou de dois fósforos). Uma razão para esta lembrança do fogo que foi aceso com orientação Divina por Adam, esfregando duas pedras, quando ele experienciou pela primeira vez a escuridão, que ocorreu na noite do primeiro sábado. Após a bênção, erguemos nossas unhas à luz, para perceber a diferença entre a escuridão e luz refletidas em nossas mãos. A sequência das orações é, vinho, especiaria, chama e Havdalá — o reconhecimento da separação. Isto segue a própria anatomia do ser humano: boca (vinho), acima dela nariz (cheiro das especiarias), acima destes os olhos (visão do fogo) e, acima de tudo o cérebro (com o qual reconhecemos a distinção entre o Shabat e os outros dias).

Melavê Malcá — A Refeição da Despedida

  Embora não haja alusão na escritura a Melavê Malcá (a refeição saboreada após o final do Shabat), sua importância está frisada na literatura talmúdica e haláchica, especialmente na Cabalá e na tradição chassídica.

  O Rambam (Hichot Shabat 30:5) explica que a refeição em si e a maneira de prepará-la são expressões em honra ao próprio Shabat:

  "O indivíduo deve arrumar a mesa na véspera do Shabat, mesmo que seja para comer apenas um Kezayit (alimento mínimo exigido pela Lei, tamanho de uma azeitona). Similarmente ele deve preparar a mesa na conclusão do Shabat, mesmo que seja para comer apenas um Kezayit, a fim de honrar o Shabat, quando chega e quando parte".

  Como enfatiza o Rambam, deve-se honrar o Shabat, o qual deve ser tratado com o respeito devido à realeza; um monarca em visista é anunciado na entrada e escoltado na saída. De fato, o Shabat é frequentemente chamado de "rainha" e é por esta razão que a refeição após o seu término é chamada Melavê Malcá, literalmente, "Escolta da Rainha"(Ziv Hashabat).

  Portanto, é costume recitar poemas litúrgicos e canções de louvor para escoltar o Shabat, assim como se escolta um rei com músicas e louvores, quando ele chega e quando ele parte (Bet Yaacov).

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